E m cima do Benfica-Sporting, que vai, tudo indica, ditar o vencedor da SuperLiga, torna-se difícil, na habitual análise dos lesionados publicada pelo JN, fugir do universo de problemas que afecta as duas equipas. Ambas têm elementos fundamentais limitados, de modo mais ou menos marcado, tentando, de igual modo, conseguir a recuperação total para tão decisivo momento, o que leva inclusive os departamentos médicos a não revelarem as habituais listas de lesionados.
No caso particular do Benfica, são conhecidos os problemas que afectam Nuno Gomes - rotura muscular - e o jovem Manuel Fernandes - pubalgia. No caso deste, a lesão não deverá ser impeditiva da participação no jogo. A patologia é conhecida, já foi abordada nestas colunas algumas vezes, e é susceptível de uma abordagem inicial não cirúrgica, com reforço e reeducação muscular, reservando-se as alternativas mais interventivas para uma situação em que a primeira não tenha sucesso. De qualquer modo, é do conhecimento público que o médio tem cumprido um programa de recuperação com Rodolfo Moura, conceituado elemento do corpo médico do Benfica, aguardando o momento mais adequado para intensificar os tratamentos ou dar-lhes outro rumo. Todavia, a regra aponta para a possibilidade de utilização, mais ou menos condicionada, do atleta, sem que de tal decorram danos futuros para o jogador.
Nuno Gomes debate-se com um problema distinto. A recuperar de mais uma rotura muscular, tenta, numa verdadeira corrida contra o tempo, ser opção válida para o jogo. A dúvida vai por certo manter-se e, mesmo, ser utilizada pela equipa como modo de "baralhar" as contas do opositor. O departamento médico do Benfica tem, por certo, elementos que lhe permitem saber em que fase da recuperação está a lesão, sabendo que, por muitas e avançadas que sejam as técnicas hoje utilizadas para recuperar atletas, algumas delas ainda a carecer de comprovação científica palpável, a natureza tem os seus "timings".
Do lado do Sporting, os potenciais ausentes são em maior número - Beto, Rogério, Carlos Martins, Enakarhire, Rochemback e Pinilla. O capitão sofreu, na sequência de um traumatismo da face, uma fractura dos ossos próprios do nariz, o que, devidamente protegido por uma máscara adequada, lhe permitirá actuar. Dos restantes, só Rochemback, em tratamento a uma entorse da tibiotársica, e Rogério parecem passíveis de recuperação. Num momento desta importância, em termos desportivos, tudo se joga, até ao limite do aceitável, com os intervenientes - médicos, técnicos e jogadores - a assumirem, sem jogos falseados, os riscos inerentes às decisões que venham a ser tomadas.
Costinha (F. C. Porto) Microrrotura na coxa direita