A reabilitação da Avenida dos Aliados (Porto) ainda não tem o aval do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). O projecto, de autoria dos arquitectos Álvaro Siza e Souto Moura, já foi submetido à apreciação técnica do instituto, mas não foi emitido o parecer obrigatório.
Os trabalhos encontram-se em curso. Na parte superior da avenida (à superfície da nova estação de metro subterrânea), a calçada portuguesa foi retirada dos passeios e estão a ser colocados cubos de granito, de acordo com a proposta dos arquitectos. No entanto, a legislação (lei nº 107/2001) determina que o arranque da empreitada não poderá ocorrer "sem prévio parecer favorável da administração do património cultural competente", tendo em conta que o conjunto arquitectónico dos Aliados e das praças da Liberdade e de General Humberto Delgado está em vias de classificação pelo IPPAR desde 1993.
Embora não queira pronunciar-se sobre o facto da intervenção nos Aliados ter começado, Miguel Rodrigues, responsável da direcção regional do IPPAR que está a acompanhar o processo, garante, ao JN, que o projecto de requalificação da Avenida dos Aliados "está em análise" e "ainda não foi emitido um parecer". Porém, acredita que a posição do instituto será conhecida em breve, até porque o IPPAR dispõe apenas de 20 dias para dar a sua opinião. O prazo já corre.
Conforme noticiou ontem o JN, a Empresa do Metro e o instituto mantêm uma colaboração no âmbito da execução da rede, desde os trabalhos de arqueologia até às soluções de recuperação do espaço público. Aliás, Miguel Rodrigues confirma que o projecto da estação subterrânea do metro nos Aliados obteve o parecer favorável do instituto. Só falta apreciar a proposta para a avenida.
Considerando que as alterações propostas para a Avenida dos Aliados irão "prejudicar gravemente a beleza, harmonia e significado histórico", a Associação Campo Aberto fez a denúncia ao IPPAR, solicitando que tome uma posição oficial com a maior urgência. A missiva, datada de 5 deste mês, é assinada por Nuno Quental.