Num dos vários pareceres da Direcção-Geral dos Recursos Florestais pode ler-se que "este projecto turístico (da Herdade da Vargem Fresca), de interesse meramente local e regional, pode ser implementado noutra localização, ao passo que aqueles 509 hectares de povoamento de sobro(num total de perto de 30 mil sobreiros), mesmo que instalados, por compensação, noutra zona só estariam reconstituídos dentro de, pelos menos, 100 anos".
Uma explicação directamente relacionada com as particularidades do sobreiro. São precisos, de acordo com informação da Associação Portuguesa de Cortiça, 25 anos para que o tronco do sobreiro atinja um perímetro de cerca de 70 centímetros (medido a 1,2 m do chão). Só a partir daqui começa a ser rentável a sua exploração, que durará, em média, 150 anos.
No primeiro descortiçamento, chamado "desbóia", obtém-se uma cortiça de estrutura muito irregular e com uma dureza que se torna difícil de trabalhar. Chama-se a este tipo de cortiça "cortiça virgem".
Nove anos depois - o decortiçamento ocorre sempre de nove em nove anos -, no segundo descortiçamento obtém-se um material com uma estrutura regular, menos duro, mas ainda insuficiente para o fabrico de rolhas, que se designa por "cortiça secundeira".
É no terceiro descortiçamento e nos seguintes que se obtém cortiça com as propriedades para produzir rolhas - que representam o grosso do negócio para Portugal -, uma vez que já apresenta uma estrutura regular com costas e barriga lisas. É a chamada "cortiça amadia" ou de "reprodução". A partir desta altura, o sobreiro fornecerá cortiça com boa qualidade durante cerca de 150 anos.