ARegião Norte do país é a mais pobre da Península Ibérica e uma das menos produtivas da "Europa dos Quinze". Um cenário crítico, discutido ontem, no Porto, no seminário "Norte 2015", um evento organizado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e Conselho Regional, que marcou o arranque do debate sobre a estratégia de desenvolvimento para a próxima década, quando se aproxima a aprovação dos fundos estruturais para o período 2007-2013.
Com o alargamento da União Europeia (UE), Portugal deverá receber, no próximo ciclo de financiamento, cerca de 300 mil milhões de euros, o que significa uma redução em termos reais de quase 20% comparativamente com o valor actual. O presidente da CCDR-N, João Moura de Sá, alertou para a necessidade dar uma resposta radical à situação difícil da região. "A crise nos sectores tradicionais, o desemprego, os baixos índices de qualificação e os impactos progressivos do alargamento da UE exige uma maior discriminação regional das políticas de desenvolvimento económico e social".
Projectar o futuro com uma visão estratégica de base territorial é o desejo do responsável para a elaboração do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), substituto do Quadro Comunitário de Apoio, que vai determinar as grandes linhas de política de desenvolvimento de Portugal para o período 2007-2013. "Pela dimensão populacional, empresarial e exportadora, os objectivos de crescimento sustentado do Norte convertem-se em desígnios nacionais. Quando a região cresce, todo o país cresce".
Já Francisco Araújo, presidente do Conselho Regional do Norte, frisou que é preciso "arranjar solução para os pagamentos comunitários que estão em atraso, promover o investimento autárquico e repensar a lógica dos projectos que têm sido realizados".
Por seu lado, Rui Baleiras, secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, falou nos desafios do futuro QREN, que segundo diz, "depende daquilo que Portugal quer ser daqui a dez anos".