Margarida Fonseca *
Sem surpresas, o protocolo, já assinado em Dezembro, entre a Câmara, a Gaiapolis e a ESAF, empresa do grupo Espírito Santo, para a Quinta de Marques Gomes, em Canidelo, foi ratificado na Assembleia Municipal de Gaia. A maioria PSD/CDS-PP assim quis. O documento passou com 32 votos a favor e 11 contra. A única abstenção veio do presidente da Junta de Perosinho, o social-democrata Ramos Pais. Falta saber que dirá, sobre isto, o Governo de José Sócrates, "o pai" do Polis.
São várias as obrigações estabelecidas entre as partes no acordo respeitante à Quinta de Marques Gomes, propriedade da imobiliária. Por ora, e ultrapassados processos ligados a adjudicações, o protocolo só possibilita a construção de vias (VL1, VL2 e nova marginal Afurada/Canidelo), sem recorrer a expropriações.
Os compromissos estão dependentes do Governo, que terá de pronunciar-se sobre o pedido de suspensão do PDM para zona do Polis e sobre o Plano de Pormenor para S. Paio/Canidelo, ainda em elaboração, onde se prevê a construção de 1238 habitações na quinta. Em troca, a empresa deverá recuperar a casa de Marques Gomes (destinada a ser um centro de apoio a idosos) e o bosque, cedendo cerca de 2,3 milhões de euros para obras públicas.
O vice-presidente da edilidade, Jorge Queirós (que representou Luís Filipe Menezes na Assembleia), diz, porém, que o projecto é "perfeito do ponto de vista formal" e que o facto de Sócrates ter sido "o pai do Polis quando era ministro do Ambiente" deixa-o mais despreocupado. Avisa, todavia, que se a decisão governamental for negativa, a Câmara está obrigada a pagar as indemnizações pela construção das vias.