OIPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico) apresentou, na passada quarta-feira, uma queixa-crime contra o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, por considerar que a autarquia está a desrespeitar o embargo ao túnel de Ceuta, prosseguindo com as obras de escavação. O autarca reagiu, ontem, afirmando que a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, quer "o caos na cidade".
"Quando as obras foram embargadas, foi acordado com a empresa municipal de Gestão de Obras Públicas (GOP) que seriam feitas obras de consolidação, por forma a garantir a segurança de quem por lá passa. Ora, nós verificámos que, além dessas obras, prosseguia a escavação do túnel", afirmou, ao JN, o presidente do IPPAR, João Belo Rodeia.
Uma constatação que levou aquele organismo "a enviar dois ofícios à GOP, nos passados dias 16 e 24, solicitando a paragem das obras". Como tal "não aconteceu, entregámos ao Ministério Público, na quarta-feira, uma queixa-crime contra os presidentes da GOP, da Câmara Municipal do Porto e o empreiteiro".
"Não podíamos fazer outra coisa e, no mesmo dia, informamos a ministra da Cultura da nossa iniciativa. Lamento imenso esta situação, mas a Câmara Municipal do Porto não nos tem dado muitas alternativas", sublinhou João Belo Rodeia.
O presidente da Câmara do Porto tem outra leitura desta queixa-crime, que diz ser "movida" pela ministra da Cultura. "A teimosia e a chantagem da ministra não funcionam comigo e vou hoje (ontem ) informar o primeiro-ministro do que se está a passar. As obras vão continuar, pois a segurança de quem ali passa está primeiro", referiu Rui Rio.