Os estaleiros da obra do metro do Porto que ocupavam terrenos do Hospital de S. João/Faculdade de Medicina foram retirados, ontem, para fora da cerca do edifício. "Entraram num terreno privado sem qualquer autorização. Foi uma invasão abusiva durante muito tempo, que vandalizou património. Hoje (ontem) é o dia que vejo reposta a legalidade", explicou o director da Faculdade, José Amarante.
A exigência junto da Empresa do Metro do Porto, da Normetro e da Somague (empresa que está a fazer a obra) para a retirada imediata e definitiva de todas as máquinas, equipamento e pessoal dos terrenos do Hospital/Faculdade, foi feita, anteontem, pelo novo presidente do Conselho de Administração do S. João, José Eduardo Guimarães (iniciou funções anteontem) e pelo director da Faculdade. Resultados práticos só se verificaram ao início da tarde de ontem, mas sem qualquer resposta por parte da Metro, que, contactada pelo JN, recusou fazer comentários.
A decisão surge na sequência da tomada de posição da Administração que presidida por Isabel Ramos, e da qual também fazia parte o actual director. "Isabel Ramos foi afastada porque era contra esta obra. A anterior Administração do S. João deixou que a situação avançasse, mas agora voltaram a pôr à frente do hospital gente que gosta dos hospitais", disse José Amarante.
José Eduardo Guimarães revelou que depois de reposta a situação serão avaliados os prejuízos. Quanto ao traçado do metro, ambos afirmam que não é o mais aconselhável para a cerca de um hospital central. "Não faz sentido que o metro percorra cerca de quatro quilómetros enterrado e seja desenterrado para abraçar um hospital, pondo em risco o acesso de emergência", sublinhou José Eduardo Guimarães.
Adiantando que vão apelar junto do ministro da Saúde para que se resolva a situação, lembram a providência cautelar movida pela Faculdade. "A providência irá a julgamento. Não voltamos a ser enganados. A Metro do Porto comprometeu-se, primeiro, a parar a obra junto do IPO, e depois a não avançar para a frente do hospital, se a linha não fosse rebaixada. Afinal é o que se vê", diz José Amarante, lembrando que o hospital tem uma área de protecção equiparada a um edifício nacional, que não está a ser tida em conta, nem mesmo para fiscalizar em termos de riscos, "uma competência do Instituto Ferroviário, que não fez nada".