Aobra da futura linha de metro da Boavista opõe os socialistas Francisco Assis, que prefere, como alternativa, a criação de uma rede de eléctricos rápidos, e Narciso Miranda, para quem "aquela linha é relevantíssima para o conjunto de linhas de metro da Área Metropolitana do Porto".
O candidato do PS à Câmara do Porto afirmou, ontem à tarde, em conferência de Imprensa, que não há argumentos que justifiquem a passagem do metro na "via mais emblemática da cidade". E argumentou "É pesado, não é necessário para o número de utentes que o utilizaria e seria negativo para o contexto da paisagem urbana". Em vez disso - e essa será a sua prioridade se vencer as eleições autárquicas -, "deveria ser instalada, à semelhança do que acontece na maioria das cidades europeias, uma rede de eléctricos rápidos. Convivem melhor com o tráfego, com os peões e com a paisagem. E é mais barato".
Assegurando não querer "alimentar polémicas", o presidente da Câmara de Matosinhos revelou, ontem de manhã, uma opinião diferente, observando que "o debate não pode ficar reduzido à cidade do Porto". Empenhado "no respeito pelos cidadãos metropolitanos de Matosinhos", Narciso Miranda defende que a discussão não pode ser "descontextualizada" nem baseada "em atitudes fundamentalistas".
Na opinião do autarca, "falar-se da linha da Boavista esquecendo a linha de Matosinhos, do Hospital de S. João, de Gondomar, de Gaia ou até da Maia é truncar o debate". O metro, afirma, "não é um meio de transporte para os cidadãos das ruas A, B ou C", mas para servir todas as pessoas da Área Metropolitana do Porto". Além disso, acrescentou, "é muito importante para a ligação do Porto a Matosinhos".
Enquanto aguarda o parecer do Governo sobre esta questão, Francisco Assis considera "uma imprudência" do actual Executivo "avançar com a linha de metro sem saber se o poder central a vai financiar". E exige que Rui Rio, de acordo "com a imagem de rigor da gestão do dinheiro público, que sempre apregoa, dê uma resposta rápida em relação ao montante da obra e aos mecanismos de financiamento a que estará disposto a recorrer".