O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, ficou indignado com a carta que recebeu, ontem, do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) sobre o túnel de Ceuta. Em resposta ao pedido da autarquia que solicitava o alegado parecer favorável à saída da boca do túnel junto ao Hospital de Santo António, o instituto enviou o parecer ao projecto de requalificação do espaço público da Baixa Portuense dado à Sociedade Porto 2001.
O documento debruça-se sobre várias obras da cidade, mas nunca faz referência ao túnel de Ceuta. Irritado com a carta, "que só vem comprovar que não há qualquer parecer positivo, ao contrário do que a ministra da Cultura tem vindo a dizer", Rui Rio vai escrever novamente a José Sócrates. "Vou mandar uma carta para que o primeiro-ministro veja a seriedade com que o IPPAR e a ministra da Cultura andam a tratar o assunto", afirmou. Note-se que o autarca já enviou duas cartas a José Socrates, mas ainda não recebeu resposta.
E aquela que, ontem, tinha em mãos também não agradou. "Além de me enviarem a carta com um mês e meio de atraso, não prova nada", salientou Rui Rio. Mais, diz o autarca, na única referência que o parecer faz às saídas das bocas de túnel aconselha a que não fiquem em ruas estreitas, nomeadamente, quando estão em causa áreas nobres da cidade. "Mas querem aprovar a saída junto ao hospital, numa rua em que o túnel ocupa toda a largura".
A missiva que o IPPAR anexa ao parecer lembra, contudo, que este "foi transmitido à Sociedade Porto 2001". Diz ainda o documento que "o projecto para a área previa a intervenção no Jardim do Carregal e na área envolvente, fixando a saída do túnel junto à fachada lateral Norte do Hospital de Santo António, situação que mereceu a concordância implícita do IPPAR ao não ser objecto de qualquer observação no parecer emitido".
Outras referências no parecer deixaram Rui Rio ainda mais indignado. Isto porque o IPPAR levanta dúvidas a alguns projectos da Porto 2001, que acabaram por ser executados sem terem as sugestões do organismo em conta.I.S.