Opresidente da Câmara do Porto, Rui Rio, vai sugerir ao Governo, depois de amanhã, que responsáveis da autarquia possam integrar a Comissão Técnica de Avaliação, constituída pelo Ministério da Administração Interna (MAI), para avaliar as condições de segurança na envolvente da obra do túnel de Ceuta, dada a proximidade ao Hospital de Santo António. O autarca pretende, assim, que o relatório final "seja completamente independente".
"Era positivo que a comissão também tivesse a participação da Câmara, ou da GOP [Empresa Municipal de Gestão de Obras Públicas] ou do próprio projectista", afirmou, ao JN, o presidente da Câmara, lembrando que a autarquia também tem uma comissão de segurança para aquela obra.
Note-se que, por despacho do MAI, a Comissão Técnica de Avaliação é constituída por representantes do Centro Distrital de Operações de Socorro do Porto, Administração Regional de Saúde e Direcção-Geral de Transportes Terrestres e especialistas da Faculdade de Engenharia do Porto e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil. A estes, Rui Rio quer acrescentar um representante da Câmara.
A polémica em volta do túnel de Ceuta não esmorece. Ontem à tarde, o candidato do PS à autarquia voltou à carga. Francisco Assis quer ver o líder do PSD, Marques Mendes a "pronunciar-se sobre a questão e a chamar Rui Rio à razão". "Não pode fechar os olhos a esta situação", afirmou o socialista, que acusa Rui Rio de ter violado o embargo, decretado pelo Ministério da Cultura. "Isto é uma questão de legalidade. O dr. Rui Rio de forma impensável põe em causa as regras básicas do Estado de direito", acrescentou Assis, atacando Rio de "falta de cultura democrática e populismo demagógico puro" por estar a incitar a visita da população à obra. Recorde-se que a Câmara está a convidar os portuenses a visitar o "buraco" entre a Praça de D. Filipa de Lencastre e o Jardim do Carregal, amanhã, entre as 12 e as 19 horas.
* com Hugo Silva