Adura e perigosa condição das crianças que trabalham em minas e pedreiras, expondo-as a graves riscos de saúde e segurança, constitui o ponto principal de reflexão do "Dia Mundial contra o Trabalho Infantil", celebrado hoje sob a égide da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Em galerias subterrâneas ou à superfície do solo, cerca de um milhão de crianças e adolescentes trabalham em pedreiras e em explorações mineiras artesanais, no Mundo inteiro. Transportando cargas pesadas, manipulando explosivos ou carregando areia e pedras, essas crianças - sublinha a OIT - arrastam-se por túneis estreitos, aspirando pó nocivo e trabalhando dentro de água, muitas vezes contaminada por tóxicos perigosos, como o chumbo e o mercúrio. São os meninos e as meninas que labutam nas minas de ouro, diamantes e outros metais preciosos em África; em pedreiras na Ásia; nas minas de carvão, estanho e ouro nas Américas.
É apenas um milhão de um universo muito mais vasto de crianças que sofrem e não têm direito a brincar . A OIT estima que, no Mundo inteiro, a exploração de mão-de-obra infantil sacrifique 250 milhões de crianças de idades compreendidas entre os cinco e os 14 anos. No entanto, as estatísticas não são muito fiáveis, uma vez que a maior parte da exploração é clandestina ou abunda em sectores não declarados da economia de muitos países.
Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado em Fevereiro passado em Londres, alertava para o facto de uma em cada 12 crianças ou adolescentes ser vítima das piores formas de trabalho infantil, tais como a escravatura ou a exploração sexual. Segundo o mesmo relatório, 246 milhões de crianças e jovens são usados como mão-de-obra em todo o Mundo. Deste universo, Portugal é responsável pelo sofrimento de 47 mil crianças (ler caixilho).
O estudo da UNICEF releva que existem 180 milhões de crianças e jovens a viver diariamente a pior expressão desta actividade, sobretudo devido à pobreza. A grande maioria (97%) trabalha nos países em desenvolvimento. Em certos casos, trabalham mais de 40 horas por semana.