Quase uma hora depois de ter, teoricamente, encerrado o horário para a circulação de cargas e descargas, na Ribeira do Porto - imposto, recentemente, pelo vereador das Actividades Económicas da Câmara Municipal -, os automóveis ainda fazem longa e lenta fila, em frente às esplanadas e aos mercados de fruta. Alguns cidadãos aproveitam a oportunidade para transgredir a proibição do estacionamento, colocando os automóveis nos passeios. Os camiões das empresas fornecedoras ainda não acabaram a entrega de mercadoria, cuja nova regra autárquica exige que seja feita das seis às 11.30 horas. Os turistas, poucos, caminham, com dificuldade, no pouco espaço livre.
"Isto é mau para o negócio, mas é pior para a segurança das pessoas", afirma José Macedo, proprietário de uma mercearia, enquanto acabava de cortar as últimas couves para vender na véspera de S. João. "Há pessoas idosas a morar aqui, que necessitam de fazer hemodiálise todas as semanas. Antigamente, o táxi deixava-as à porta de casa. Agora, têm que vir a pé depois daquele tratamento".
Joaquim Cardoso, um dos moradores cuja sogra recorre, frequentemente, ao hospital, é uma das vítimas. "Como compensação, deixam-nos estacionar na Alfândega por 25 euros mensais. Mas eu não posso obrigar a minha sogra a ir até lá, a meio da noite, a pé, para depois a levar ao médico".
O problema do estacionamento na Ribeira não existe desde que alargaram os passeios, refere um grupo de pessoas que, entretanto, se adiciona à conversa para desmentir o vereador Fernando Albuquerque. "O lema da Câmara é «eu quero, posso e mando». Decide tudo sozinha e só depois do mal feito tenta falar com as pessoas e minimizar os estragos", afirma ainda Joaquim Cardoso." Espero que nunca haja aqui um incêndio. Se houver, há-de ser uma tragédia".
Na loja de artesanato e souvenirs, a diminuição de clientes não é evidente. "Não sinto tanto a queda do negócio, porque trabalho mais com turistas", ressalva Fernando Simões, agitado, a embrulhar t-shirts com a fotografia da cidade, enquanto aconselha um grupo de italianas a não perder o fogo de artifício, à meia-noite.