Várias centenas de pessoas marcharam, ontem, do Marquês de Pombal ao Rossio, em Lisboa, pelo direito dos gays, lésbicas, bissexuais e transgénero ao casamento civil. Marcada pelas perseguições recentes a homossexuais em Viseu, mas também pelo acórdão do Tribunal Constitucional que considerou discriminatório o artigo 175 do Código de Processo Penal, que pune o acto homossexual com adolescente, a edição deste ano teve como palavra de ordem "Cumprir a Constituição homofobia não". Os manifestantes, de todas as cores e orientações sexuais, lembraram com muita insistência a lei espanhola, que permite os casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, para reclamar direito igual.
No manifesto, as associações promotoras da marcha consideram que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo promoverá a "liberdade e a igualdade" e que qualquer recusa deste direito é homofóbica. Ao não alterar as leis que o permitem e ao não fazer cumprir a Constituição portuguesa, que proíbe a discriminação com base na orientação sexual, o Estado "glorifica na lei essa mesma homofobia", acusam.
Para além das associações gays e lésbicas, várias outras se associaram a esta luta, que todos consideram ser "uma luta pelos direitos humanos". Marcharam pela avenida representantes da Amnistia Internacional, da Marcha das Mulheres, da União de Mulheres Alternativa e Resposta, da Plataforma Contra o Abuso Sexual de Crianças, de associações de imigrantes, do S.O.S Racismo, do Partido Humanista, do Bloco de Esquerda e do Movimento Liberal Social que pretende tornar-se, muito proximamente, num partido.
Os escritores Inês Pedrosa e Rui Zink foram os padrinhos do protesto e encabeçaram a marcha. O actor Alexandre Frota também quis associar-se à parada. E chamou todas as atenções, não só da imprensa, como de muitos dos participantes, homens e mulheres, que quiseram fotografá-lo ou ficar no retrato ao lado dele.
Do Porto, veio o responsável pelo site "Portugalpride", que organiza uma festa semelhante na cidade nortenha, no próximo dia dois. No Porto as "coisas têm de ir mais devagar", diz João Paulo, justificando o facto de não ser realizada uma marcha, nas ruas da cidade, mas rejeitando que tal se deva a um maior conservadorismo. Até porque os apoios para a iniciativa provêm de empresas privadas e não da câmara Municipal, como acontece em Lisboa. As receitas revertem para o Hospital Joaquim Urbano, que já recebeu mais de 10 mil euros, desde 2001, data da primeira concentração nortenha.