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Direito ao casamento exigido por centenas de pessoas

Publicado

Clara Vasconcelos
 

Várias centenas de pessoas marcharam, ontem, do Marquês de Pombal ao Rossio, em Lisboa, pelo direito dos gays, lésbicas, bissexuais e transgénero ao casamento civil. Marcada pelas perseguições recentes a homossexuais em Viseu, mas também pelo acórdão do Tribunal Constitucional que considerou discriminatório o artigo 175 do Código de Processo Penal, que pune o acto homossexual com adolescente, a edição deste ano teve como palavra de ordem "Cumprir a Constituição homofobia não". Os manifestantes, de todas as cores e orientações sexuais, lembraram com muita insistência a lei espanhola, que permite os casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, para reclamar direito igual.

No manifesto, as associações promotoras da marcha consideram que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo promoverá a "liberdade e a igualdade" e que qualquer recusa deste direito é homofóbica. Ao não alterar as leis que o permitem e ao não fazer cumprir a Constituição portuguesa, que proíbe a discriminação com base na orientação sexual, o Estado "glorifica na lei essa mesma homofobia", acusam.

Para além das associações gays e lésbicas, várias outras se associaram a esta luta, que todos consideram ser "uma luta pelos direitos humanos". Marcharam pela avenida representantes da Amnistia Internacional, da Marcha das Mulheres, da União de Mulheres Alternativa e Resposta, da Plataforma Contra o Abuso Sexual de Crianças, de associações de imigrantes, do S.O.S Racismo, do Partido Humanista, do Bloco de Esquerda e do Movimento Liberal Social que pretende tornar-se, muito proximamente, num partido.

Os escritores Inês Pedrosa e Rui Zink foram os padrinhos do protesto e encabeçaram a marcha. O actor Alexandre Frota também quis associar-se à parada. E chamou todas as atenções, não só da imprensa, como de muitos dos participantes, homens e mulheres, que quiseram fotografá-lo ou ficar no retrato ao lado dele.

Do Porto, veio o responsável pelo site "Portugalpride", que organiza uma festa semelhante na cidade nortenha, no próximo dia dois. No Porto as "coisas têm de ir mais devagar", diz João Paulo, justificando o facto de não ser realizada uma marcha, nas ruas da cidade, mas rejeitando que tal se deva a um maior conservadorismo. Até porque os apoios para a iniciativa provêm de empresas privadas e não da câmara Municipal, como acontece em Lisboa. As receitas revertem para o Hospital Joaquim Urbano, que já recebeu mais de 10 mil euros, desde 2001, data da primeira concentração nortenha.

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