Avelino Ferreira Torres também se movimenta no sector do imobiliário. E um trabalho publicado o ano passado pelo JN, onde se dava conta da existência de dezenas de negócios que produziram mais valias espantosas, acabou por atrair a atenção do Fisco. Um funcionário da Câmara, com fortes ligações a Ferreira Torres (foi ele que abriu a porta da casa do autarca em Costa Cabral, no Porto, no dia da última busca da PJ, a 7 de Junho) está agora com sérios problemas com as Finanças. Recebe um ordenado de pouco mais de 500 euros e tem milhares de euros para devolver ao Fisco. Resultado, tem um terço do ordenado penhorado (o máximo que a lei prevê), mas só daqui a várias décadas é que a dívida será saldada.
A título de exemplo refira-se que o dito funcionário comprou, a 29 de Julho de 2000, cinco propriedades. A "Sorte da Vinhola" (20 mil metros quadrados); o "Monte do Alto dos Reis" (sete mil metros quadrados); o "Campo da Portela" (dois mil metros quadrados); a "Quinta de Vilar e Campo" (25 mil metros quadrados); e a "Quinta da Varzea" (nove mil metros quadrados).
A 24 de Outubro de 2003, o mesmo modesto funcionário vendeu quatro das cinco propriedades à "Horizonte do Tâmega", (uma sociedade dividida por Ferreira Torres e pelos seus dois filhos), bem como um outro pinhal, denominado "Mata da Fonte do Marão". O registo foi feito no Cartório de Paredes e os preços irrisórios. A "Quinta de Vilar e Campo", por exemplo - com pastagens, videiras, forcado e mato - só valeu 200 euros.
Outro negócio fabuloso, mas feito pelo presidente da Câmara, envolve a Quinta da Segoiva, onde está a construir a sua mansão e que engloba outros dois terrenos com registos diferenciados. O valor patrimonial, ainda em escudos, é de 254 contos, embora a área dos terrenos seja de 10 mil metros quadrados. Foi este o valor que Ferreira Torres pagou.