Um dos negócios que a Polícia Judiciária do Porto está a investigar há mais de um ano e meio tem a ver com a compra do Cine-Teatro Alameda por parte da autarquia a um promotor imobiliário. O processo da compra, que recentemente foi alvo de uma denúncia pública do PS do Marco de Canaveses, está avaliado em cerca de 2 milhões de euros. É quanto a Câmara pretende gastar, depois de ter vendido esse mesmo espaço, há sete anos, por 650 mil euros. Vendedor e comprador são a mesma pessoa, mas o preço subiu para o triplo. O negócio, tal como já foi noticiado pelo JN, foi aprovado pela maioria CDS-PP, em Assembleia Municipal, com os votos contra do PS e PSD e da CDU.
O espaço cultural está localizado na Alameda Dr. Miranda da Rocha e foi construído, em tempos, pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, para funcionar como fonte de receita da corporação. Durante largos anos foi o único espaço cultural do concelho.
Em consequência da construção do novo quartel, os bombeiros, com falta de liquidez financeira, tiveram de vender as velhas instalações. Porém, ao abrigo do Plano de Pormenor daquela Alameda, mantiveram intacta a função do cine-teatro, que teria sempre de funcionar como sala de espectáculos.
Na ocasião, em 1996, a Câmara adquiriu as antigas instalações dos bombeiros e o logradouro por cerca de 550 mil euros. O negócio de compra e venda, aprovado pelos respectivos órgãos das duas instituições, tinha um denominador comum Avelino Ferreira Torres era o presidente de ambas as instituições, enquanto o filho, Fernando Torres, era o presidente do Conselho Fiscal dos bombeiros.
O protocolo da operação foi então aprovado em reunião de Câmara de 21 de Julho de 1996. Mas vinte e quatro dias antes, a 5 de Julho, a Assembleia Municipal já deliberava em hasta pública a alienação do imóvel e do terreno.