Os voos de helicóptero são apenas a face mais exuberante da campanha eleitoral de Ferreira Torres em Amarante. O "amor" do candidato, após duas décadas de poder no Marco de Canaveses, não conhece constrangimentos financeiros, nem de disponibilidade de tempo.
Em Amarante, ande-se por onde se andar, os cartazes com os dizeres "Amar Amarante" e a figura de Torres estão presentes, inclusive onde é proibido por deliberação camarária a sua afixação - caso do Centro Histórico. O número de "outdoors" ultrapassa as sete dezenas, na contabilidade dos adversários políticos, algo que tem um preço elevado. Publicitários contactados pelo JN adiantaram que o preço da lona, usada na composição dos cartazes, é superior a 500 euros por unidade. A este valor junta-se o preço da estrutura em ferro com cerca de vinte metros. Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, diz mesmo que Torres "já terá gasto mais dinheiro em Amarante do que o total que é permitido para o conjunto das campanhas no distrito do Porto".
E embora presidente no município vizinho, Ferreira Torres passou grande parte do último mandato em campanha eleitoral em Amarante. Por exemplo, com a força das máquinas desfez um monte que separava o cemitério e a igreja paroquial de Rebordelo, a sua freguesia natal e pagou os trabalhos. Estava dado o sinal do empreendedorismo e do poderio económico do candidato, tal a grandeza dos meios envolvidos. Torres partiu das zonas mais recônditas de Amarante e fioi-se aproximando da cidade, onde se prepara para encerrar a campanha. "Onde chega paga tudo", ouve-se em qualquer recanto do concelho.
No futebol, transformou adversários em acérrimos apoiantes. Como o presidente do clube, Clemente Teixeira, que pouco tempo depois de ser um opositor de Ferreira Torres assumiu a linha da frente no apoio ao autarca. Clemente será "premiado" com um lugar na vereação.
Os assessores directos também têm tratado da sua inclusão no associativismo do concelho. Como é o caso de um cheque passado pela secretária pessoal de Ferreira Torres à associação humanitária S. Tiago, que lhe valeu o título de sócio honorário. À "Escola de Futebol prof. Carlos", Ferreira Torres ofereceu duas carrinhas, nas quais pode ler-se "Amar Amarante apoia o Desporto".