Insistir. É a palavra de ordem de Rui Rio que, ontem, anunciou a decisão de voltar a submeter à votação do executivo camarário a proposta para instalação de uma Pousada de Portugal no antigo edifício das Moagens Harmonia, com respectiva "zona de charme" no Palácio do Freixo. O autarca acredita que o chumbo da Oposição esteve relacionado com o actual momento eleitoral, pelo que o documento só regressa à autarquia após as eleições legislativas.
Março será, então, o mês "D" para o presidente da Câmara do Porto, que admite vir a introduzir alterações solicitadas pelos vereadores, desde que sejam "sensatas". Da parte do vereador da CDU, que surpreendeu Rui Rio com um voto contra, são necessárias apenas três condições para viabilizar o projecto. (ler caixilho).
A decisão do presidente da autarquia foi anunciada, ontem, na sequência de uma visita à antiga fábrica das Moagens Harmonia. O cenário não poderia ter sido melhor escolhido. O avançado estado de degradação do edifício e as más condições em que se encontra grande parte do espólio do Museu da Ciência e Indústria serviram de mote para as palavras de Rui Rio.
"Estando aqui fica claro sobre o que estamos a tratar", afirmou o presidente, depois de calcorrear os cinco pisos do edifício, seguindo os conselhos da coordenadora do museu para ter cuidado com as "zonas de risco" soalho podre, escadas periclitantes e o último andar ocupado por dejectos de pombas. "É minha obrigação, tal como aconteceu com a SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana) insistir", referiu Rui Rio, dando conta que está disposto a fazer alterações "sensatas" ao projecto, depois de falar com a ENATUR. "Se não as fizerem, não as instroduzo e se não forem sensatas também não aceito", acrescentou, lembrando que está fora de questão a hipótese de duplicar a renda a pagar à autarquia.
Quem aguarda uma solução rápida é Maria da Luz Sampaio, coordenadora do Museu da Ciência e Indústria. Com a falta de condições do edifício, corre o risco de ter de devolver os 200 mil euros conseguidos para uma exposição permanente. "Esperemos que se resolva", anseia.