AAssociação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) quer ver o alterne legalizado. O presidente, António Fonseca, está convencido que só dessa forma será possível proteger as mulheres que se dedicam àquela actividade e "separar o trigo do joio" entre os empresários. Uma forma, ainda, de "moralizar e dignificar" a noite. Até porque, acrescenta, os bares também são frequentados por gente de todos os sectores do desporto à política, das autoridades judiciais às policiais.
"Reina a hipocrisia do Estado. Não tem havido vontade política para legalizar, de uma vez por todas, esta actividade", desabafa o dirigente. Lembra que já há juízes a proibir arguidos de contactar com alternadeiras (no processo Apito Dourado). "Então é porque existem", observa, revelando que serão pedidas audiências com os partidos políticos para debater a matéria.
Na Ribeira do Porto, nasce a reivindicação para pôr o alterne dentro da lei. António Fonseca observa que se devia avançar com o processo. Permitindo, por exemplo, que as alternadeiras pudessem inscrever-se nas Finanças, enquadradas na "prestação de serviços". "Nem que fosse temporariamente, enquanto estão em Portugal", refere, sublinhando que grande parte das mulheres são estrangeiras.
"Devia legalizar-se, no mínimo, para não sermos sempre incomodados pelas autoridades e para podermos dar dignidade a estas trabalhadoras", acrescenta Elisa Sousa. Há três décadas que a responsável pelo Folly Music está no ramo. "É preciso arranjar um enquadramento jurídico para esta actividade, de forma a podermos legalizar as trabalhadoras", concorda João Jaques, da Taverna do Infante.
Ambos os responsáveis garantem que não há prostituição nas suas casas. As mulheres limitam-se a beber um copo ou a dançar com os clientes. Há espectáculos de strip-tease, mas não há prostituição.