"Éobrigação do Porto, da cidade que Álvaro Siza escolheu de livre vontade, para viver e trabalhar, prestar-lhe um tributo especial; um tributo que só se presta aos maiores". Assim terminou Rui Rio o discurso que antecipou a entrega das chaves da cidade ao arquitecto que considera um "caso de excepção". Pela obra com que bafejou a cidade e o país, pelos prémios que lhe reconheceram o mérito a nível mundial, pela capacidade de aprender com o passado e pelo empenho na recuperação do construído.
Por tudo isto, Álvaro Siza Vieira recebeu, ontem, das mãos do presidente da Câmara do Porto as chaves da cidade, uma homenagem que acolheu com "sentimentos cruzados de gratidão, orgulho e embaraço. Outros mais do que eu as merecem", disse, no seu estilo modesto.
Embora simbólico, o valor das chaves da cidade significa algo mais para Álvaro Siza. "Por deformação profissional, talvez, procuro encontrar utilidade - razão de ser - para qualquer objecto, ainda que se trate das chaves de uma porta inexistente. Procurei e julgo que encontrei", realçou.
As chaves exprimem para Siza Vieira um desafio que o responsabiliza, "mas que é dirigido a todos". O desafio de unir "pela qualidade e com igual exigência o que é antigo e o que é de hoje e de amanhã".
Numa referência "ao muro e às portas virtuais" que separam o centro histórico do resto da cidade, Siza lembrou que o que outrora foi campo continua a sê-lo, mas com uma perspectiva diferente "campo, sim, mas de concentração; dormitório onde sonhar é um exercício difícil".