Somados todos os argumentos produzidos até à data, a conclusão é inevitável a linha de metro da Boavista não é uma opção de projecto mas um recurso de ocasião. Mais: a empresa não admite alternativa. Daqui até à conclusão "ou a Boavista ou nada" não vai um passo. O quadro é negro e se um dia houver linha, a cor identificativa só poderá ser uma: a negra!
O debate sobre esta opção da Metro do Porto está na rua e ameaça alargar-se a todo o projecto que começa a dar sinais de desorientação e fragilidade. E isto é tão mais preocupante quanto é certo estarmos perante "o maior investimento da União Europeia a nível dos transportes"!
A verdade é que este projecto nunca foi inteiramente assumido pela cidade que, para além de manifestar algum cepticismo inicial, nunca teve uma verdadeira oportunidade para o debater. E quando assim é, qualquer erro, qualquer decisão menos fundamentada ou simplesmente polémica, em qualquer momento do seu percurso, pode pôr em causa todo o projecto, incluindo tudo quanto tenha sido, entretanto, realizado, e bem realizado, como é o caso.
Por outro lado, a lógica inicial do projecto assentava nalgumas evidências que, por o serem, não careciam de grande fundamentação (nem técnica nem outra) para que a ideia fosse aceite com naturalidade. Essa lógica partia de factos e não de ficções ou de simples desejos. Com efeito, observando o mapa da região, verificava-se que as vias-férreas existentes - há mais de cem anos a funcionar mas, então, em processo de desactivação - chegavam à cidade e, nomeadamente, ao seu centro (Trindade e S. Bento), vindas de todos os quadrantes. Era, por isso, muito claro que configuravam, no seu conjunto, o embrião de uma verdadeira "rede" de transportes ferroviários de escala metropolitana. Curiosamente, para que esse sistema pudesse fechar e, num primeiro momento, passar a funcionar com o mínimo de continuidade, bastava que, para além de outros acertos, se procedesse à ligação entre as estações da Trindade e de S. Bento. Com efeito, a localização destes dois pontos do centro da cidade conferiam a essa ligação, sob o ponto de vista da irrigação do tecido urbano, uma importância decisiva.
A ideia que se retinha desta observação era, pois, a da plena viabilidade desta reconversão que significava a possibilidade de dotar a região duma infra-estrutura (de transportes) de dimensão verdadeiramente metropolitana para um território que começava a dar preocupantes sinais de perda de coesão e vitalidade.