Pelo facto do projecto do metro do Porto ter nascido sobre as cinzas dos caminhos-de-ferro que convergiam para o centro da cidade, amarrou o respectivo conceito ao modelo de "canal dedicado", ou seja, ao modelo de "via exclusiva", tal como ainda hoje acontece com os comboios tradicionais. Este era, em boa medida, o conceito fundador do projecto do metro que o tornava aliciante e coerente de vários pontos de vista era rápido, de grande capacidade, tinha escala verdadeiramente metropolitana e conexão viável com outras ferrovias de âmbito regional e nacional já existentes.
Ainda que nada tivesse sido verdadeiramente planeado de forma coordenada, o facto é que a cidade e a área metropolitana foram crescendo em simultâneo e em paralelo com as diversas redes dos vários modos e sistemas de transportes públicos ou privados que foram sendo implantados desde que o século XIX fez expandir a mancha urbanizada da "grande cidade".
O facto de, até meados do século passado, o transporte individual não ter atingido a expressão que tem hoje, deu ao transporte colectivo e público e, sobretudo, ao modo ferroviário, um desenvolvimento e um protagonismo muito significativos. De facto, muitos se lembrarão ainda - e com que saudades! - da fabulosa rede de eléctricos que percorria de lés a lés a cidade do Porto e a sua área metropolitana, cruzando-a em todos os sentidos, de Leixões a S. Pedro da Cova, de Santo Ovídio a Ermesinde e a Valongo e a tantos outros locais que tinham no eléctrico um autêntico "metro de superfície" na base do qual cresceu e se desenvolveu uma verdadeira "área metropolitana".
Contudo, a distinção entre ambos os meios ferroviários - comboio e eléctrico - era e continua a ser clara, as respectivas problemáticas eram e ainda são distintas e, portanto, as soluções terão de ser sempre devidamente equacionadas para que possam ser correctamente concretizadas.
O comboio circulava e continua a circular em via dedicada - exclusiva - e, por isso, num tipo de canal que é, de certo modo, indiferente à cidade. A relação com esta faz-se apenas por "pontos" (paragens ou estações) e tudo o resto (percursos ou linhas) se passa como se fora nas "traseiras" ou nos "subterrâneos" da cidade. Quer isto dizer que este modo de transporte só suscita questões de "inserção urbana" nesses mesmos "pontos", sendo que entre eles (nos tais percursos) tudo deva ser, de certo modo, "escondido". As soluções técnicas correspondentes, são, naturalmente, as valas, os túneis ou os viadutos. Por isso, quando o comboio surgiu como solução, e já lá vão mais de cem anos, a cidade foi perfurada por uma fabulosa rede de túneis e viadutos (pontes) em todos os sentidos e em todas as condições topográficas. Este modo de se implantar e de funcionar - em canal próprio e exclusivo - era, e ainda é, a natureza própria do comboio ou do meio ferroviário de grande capacidade e de escala metropolitana ou superior. E, no essencial, é assim que as coisas ainda são hoje.