António Maria Rua não consegue esconder desolação quando admite que, em breve, as lojas que possui na Rua dos Clérigos, no Porto, podem ter as portas fechadas. O processo de falência está, desde Outubro passado, nas mãos do Tribunal Administrativo e o empresário espera que o administrador judicial, a nomear, decida o futuro dos 48 trabalhadores.
Por ora, os salários estão em dia. E procura-se "alguém que tome conta das lojas, sobretudo da retrosaria", vizinha do estabelecimento onde abundam rolos de tecidos, a imagem de marca da empresa António M.Rua, SA.
O Sindicato do Comércio do Norte diz-se atento e receoso. A Associação de Comerciantes e a Câmara do Porto mostram-se preocupadas. O fecho das lojas do grupo significará o fim de um império comercial que deu cartas até no estrangeiro. E a queda de mais um pedaço da história da cidade.
"Em Outubro, o empresário tentou que os funcionários rescindissem os contratos, invocando que a empresa está em processo de falência. E está, de facto. Mas continua a vender. E pagou os salários em Janeiro. Portanto, aguardemos", disse, ontem, ao JN, Jorge Pinto, presidente do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços do Norte.
A estrutura sindical organizou, mal se aventou a hipótese das lojas fecharem, uma manifestação para chamar a atenção para o problema. Quatro meses depois, o medo de ver "mais 48 pessoas sem trabalho mantém-se".