O impasse do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) no processo do túnel de Ceuta está a preocupar Rui Rio. O presidente da Câmara do Porto espera por uma solução de "bom senso" e avisa que não tolerará desrespeito pela cidade. A decisão final já foi tomada, ontem à tarde, pelo Conselho Consultivo do IPPAR, em Lisboa, mas apenas hoje será conhecida.
O director regional do instituto no Porto, Lino Tavares Dias, indicou, ao JN, que o parecer técnico está em fase de elaboração e será divulgado durante o dia de hoje. "Não foi tomada uma decisão surpreendente, porque, nestes casos, as decisões são bem alicerçadas", sublinhou o responsável, recusando-se a adiantar o conteúdo da deliberação do conselho.
No entanto, Rui Rio deixa um ultimato "No momento em que estão a faltar com o respeito à cidade, então vão ver-me do avesso". "Na solução da Câmara, o túnel acaba a 25 metros do edifício do Museu Soares dos Reis e o passeio fica com cinco metros", alerta o autarca, dando conta que, após as notícias de ontem, recebeu vários telefonemas de apoio.
A mais recente proposta de colocar a saída do túnel junto ao cruzamento das ruas de D. Manuel II com Adolfo Casais Monteiro não agrada. Além do custo adicional de dois milhões de euros e do arrastamento das obras por mais 11 meses, o presidente encontra outra grave desvantagem o afunilamento do canal de circulação do trânsito em frente à Reitoria, bloqueando a passagem das ambulâncias rumo às Urgências do Hospital de Santo António, oriundas da zona Ocidental do concelho.
"Não posso estar de acordo com essa solução, que impede as ambulâncias de chegar a tempo ao Hospital para satisfazer um capricho de quem não quer dar o braço a torcer. Defenderei intransigentemente o Hospital de Santo António e não me responsabilizarei por um gargalo que vai prejudicar o trânsito e atrasar as ambulâncias", critica.