Há um ano, em Madrid, 191 pessoas morreram e cerca de 1900 ficaram feridas, vítimas de dez engenhos explosivos colocados em quatro comboios com destino a Atocha, principal estação da capital espanhola. A demência terrorista criava mais um mito, escrito a sangue. Demasiado sangue.
Hoje, 74 indivíduos são considerados arguidos, dos quais 23 estão detidos e 17 com obrigatoriedade de comparecer periodicamente perante as autoridades. Há três dezenas de testemunhas protegidas, de diversas nacionalidades, muitas das quais se sujeitaram a mudança de nome e de residência.
A Comissão Parlamentar que investiga os atentados de 11 de Março de 2004 levou ao Congresso, na passada terça-feira, com a oposição do Partido Popular - no poder aquando dos ataques e derrotado nas eleições do domingo seguinte, muito por causa de ter imputado à ETA o que se veio a provar ter sido obra de islamistas radicais -, um texto com 125 recomendações sobre terrorismo e segurança.
É a dança política, fortemente contestada pela Associação 11-M, cuja presidente, Pilar Manjón, que perdeu um filho na carnificina de há um ano, acusa os partidos de utilizar a dor das vítimas para fins de benefício partidário. Aliás, a ex-funcionária do Ministério da Defesa tem vindo a tornar-se numa voz cada vez mais sonora na sociedade espanhola. Inclusivamente, há quem a indique como ministeriável. Entretanto, já fez saber que a estrutura a que preside não se associará a nenhuma iniciativa celebratória do primeiro aniversário dos atentados, considerando a jornada como de luto absoluto.
Negro que poderia ser muitíssimo mais carregado, caso os sete terroristas mortos num apartamento de Leganés - em 3 de Abril de 2004 - levassem a cabo a intenção de transformar a data que haviam dado como limite para a retirada das tropas espanholas do Iraque - o dia seguinte ao da sua morte - em mais uma etapa de terror.