Ao vigésimo quinto bocado de sável, Valentim Loureiro descansou o garfo. A "prova cega" estava concluída e, antes de avançar para a lampreia à bordalesa, o presidente da Câmara de Gondomar decidiu fazer um intervalo no almoço e usar a boca para falar. E o tom foi o de um homem vencido pelo desgosto .
"Quero fazer um lamento público, em torno dos dois governos [do PSD/CDS-PP] nos últimos três anos. O então primeiro-ministro Durão Barroso veio ao Freixo, no Porto, em 31 de Julho de 2003 e aprovou, em Conselho de Ministros, a linha do metro até Gondomar. A obra não avançou até hoje. Na Metro está tudo pronto. Nem Durão Barroso nem Santana Lopes foram capazes de desbloquear a situação. Isso é altamente lamentável", referiu.
O autarca social-democrata continuou os lamentos. Falou na "paragem da economia", avisou que "mudar de Governo não significa que o país vá para melhor" e considerou que é tempo de apostar, em termos empresariais, em novas áreas turismo, saúde, ambiente, prestação de serviços sociais, desporto e lazer. "Não se criam empregos só com boas vontades ", sublinhou o major, no seu discurso de homem de pouca fé.
No entanto, não quis deixar de desejar "felicidades ao amigo de longa data", José Sócrates, que hoje toma posse como novo primeiro-ministro.
"Está à altura da função. Já o tinha dito. Agora, espero que tenha seleccionado bem os ministros do seu Governo. Cheguei a perguntar-lhe se não era masoquista por andar tão empenhado em campanha com o país falido", disse.