Ao contrário do que Rui Rio esperava, o projecto para a futura Avenida dos Aliados, apresentado anteontem, está a gerar reacções positivas. Alguns dos arquitectos que intervieram na Baixa por ocasião do Porto 2001, contactados pelo JN, destacaram a "inegável qualidade" do trabalho realizado pela já apelidada "dream team" da arquitectura, Álvaro Siza Vieira e Souto Moura.
O projecto, conforme o JN noticiou ontem, prevê o "emagrecimento" da placa central em oito metros e o alargamentos dos passeios laterais, onde vão surgir as entradas para a estação do metro. Ao centro, os canteiros desaparecem para dar lugar a novas árvores e vai nascer uma fonte, com o fundo em granito.
Aliás, o granito vai destacar-se em toda a avenida, substituindo a calçada à portuguesa e o alcatrão das faixas de rodagem. E, por fim, na Praça da Liberdade, a estátua equestre de D. Pedro IV vai dar uma volta de 180 graus de modo a ficar voltada para os Paços do Concelho. Mas nenhuma das alterações merece reparos.
"É uma forma original de resolver um problema", defende o arquitecto Virgínio Moutinho. "É uma proposta de indiscutível qualidade que resolve de forma adequada os novos problemas que se põem à cidade, nomeadamente, com a introdução do metro", salienta, por sua vez, o arquitecto Adalberto Dias.
Para este último, a grande mais valia do projecto apresentado é a capacidade de unificar a Avenida dos Aliados, que mais não era do que "um conjunto de bocados", resultantes de divisões que foram feitas ao longo da história. "A avenida foi-se adaptando às divergências sem nunca ter sido encarada de forma global. Esta intervenção unifica-a, dando-lhe um outro sentido", acrescenta Adalberto Dias, rendido ao projecto.