Inês Schreck *
Recebido por uma multidão que empunhou cartazes e distribuiu panfletos implorando a conclusão da obra, o presidente do IPPAR, João Rodeia, afirmou, anteontem, estar sensível ao problema dos comerciantes e moradores directamente afectados pela empreitada, pelo menos, há seis anos. E chegou, mesmo, a defender que deveriam ser indemnizados.
"Compreendo perfeitamente as dificuldades dos comerciantes e julgo que deveriam ter sido indemnizados pelos danos causados. Agora, essa situação não pode inviabilizar a melhor solução para a saída do túnel", defendeu o responsável, lembrando que, ao IPPAR, compete, tão-só, defender o património nacional.
"Quem não deve não teme, por isso aqui estou a dar a cara". O dirigente do IPPAR, o interveniente mais esperado no debate que decorreu, anteontem à noite, no Museu Soares dos Reis, começou o seu discurso numa clara resposta a Rui Rio, que, recentemente, acusou os dirigentes do Instituto de serem "funcionários públicos sem rosto e sem nível".
João Rodeia frisou, perante a numerosa plateia, que está disponível para pôr um fim ao imbróglio do túnel de Ceuta e lamentou a ausência de um interlocutor no debate. "Estou disponível para falar, negociar e encontrar uma solução", referiu, por duas vezes, deixando no ar a ideia de que a autarquia se tem vindo a escusar ao diálogo.