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Pior era difícil! É o mínimo que se pode dizer da intenção manifestada pelos CTT de abandonar o seu edifício-sede no centro da cidade do Porto. E não se sabe mesmo o que mais "admirar" se a decisão já tomada, se a espessa cortina de silêncio em que a mesma foi envolvida até hoje. São actos como este, com toda a carga simbólica que têm, que justificam o cepticismo que envolve a "reabilitação urbana" das nossas cidades e em particular da baixa portuense. E por mais que digam que o movimento de "regresso à baixa" está em marcha e que só uma grande força poderá opor-se ao seu sucesso, é muito difícil acreditar que tal processo exista e seja sustentável. Ou será que só têm obrigação de responder ao toque a rebate pela "baixa" os cidadãos de mais fracos recursos e os mais pequenos de entre os pequenos? Será que é apenas com eles que se pensa fazer da baixa um espaço de esperança e de vida à escala de uma cidade como o Porto? É que, se não é, ...parece!

A "reabilitação urbana" foi já assumida pelo estado português como um grande objectivo estratégico nacional, promulgando a lei que permite a criação das chamadas "Sociedades de Reabilitação Urbana". Independentemente da opinião que se tenha sobre a referida lei e quanto à bondade - esperada - dos seus efeitos, o facto é que a identificação do problema da "reabilitação urbana" como problema "de estado", veio criar novas e maiores responsabilidades tanto aos cidadãos em geral como às suas instituições em particular, sejam elas de carácter público ou privado. Ou então a questão não passa de uma questão de moda e, como tal, irrelevante porque apenas sujeita ao critério muito particular de cada um dos actores sociais, individual ou colectivamente considerados.

A verdade, porém, é que, mesmo neste quadro, as grandes e poderosas organizações (instituições?), como é o caso dos CTT, se comportam com a maior indiferença, julgando-se mesmo dispensadas do esforço que é exigido ao simples cidadão e, portanto, acima das mais elementares obrigações sociais! Para elas, o primário argumento das "razões económicas" parece ser suficiente para justificar, perante os cidadãos, em cujo interesse dizem actuar, as suas políticas de longo prazo e os seus actos do quotidiano. De facto, tudo leva a crer que é também assim que pensam - e agem - outras instituições de peso como, por exemplo, o Banco de Portugal, que mantém, em plena Praça da Liberdade, um notável edifício, há anos esvaziado de ocupantes e funções, e a Caixa Geral de Depósitos, que age de igual modo no seu edifício da Avenida dos Aliados, apenas aberto em 2001 para eventos da Capital da Cultura para, logo depois, voltar a encerrar. E, isto, para só citar instituições que, pela sua própria natureza, tornam mais escandalosa a argumentação "economicista".

Em todo o caso, é assim que pensam estas e muitas outras entidades públicas e privadas que, embora possuidoras de estatuto de "instituições" da sociedade, foram progressivamente abandonando a "baixa" à sua triste sorte, como se nada nem ninguém tivesse nada a ver com o facto. Não é assim e não será deste modo que a baixa sairá do buraco em que caiu ou em que a meteram. Ou então algo de muito extraordinário terá de acontecer, para que a cidade possa reassumir a sua pujança sem grandes instituições a participarem efectivamente nesse esforço.

A verdade é que não há cidade que sobreviva apenas e só à custa de cidadãos de menores recursos que não têm outra solução que não seja fazerem de figurantes numa história triste ou, então, de todos quantos, por quaisquer outros motivos, aceitem viver em condições apenas razoáveis e uns e outros para alimento da curiosidade do turista em busca do pitoresco de cidades a cheirar a bolor e a caruncho que já não há noutras paragens.

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