"Os ataques violentos à comunidade homossexual da cidade não abrandaram, mesmo depois das denúncias públicas e das queixas crime apresentadas pelos agredidos contra os agressores. Só nas últimas três semanas. Há relatos de três perseguições. Há já quem tenha medo de sair à rua. E há pessoas em estado de choque".
A denúncia parte de duas organizações de direitos humanos (Olho Vivo e Panteras Rosa), que estão a preparar um debate sobre a problemática das motivações homofóbicas e uma concentração de repúdio à perseguição aos homossexuais, ambas na cidade de Viseu. O debate vai realizar-se em Abril. A concentração ainda não tem data marcada.
Os ataques e as perseguições à comunidade gay de Viseu "têm sido perpetrados por um gangue de 30 indivíduos que se deslocam em caravana automóvel", revela Sérgio Vitorino, do movimento Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia.
E a actuação contra os homossexuais "é quase sempre violenta". "Há casos de rapto, sequestro e tortura. A situação é tão grave que até heterossexuais, confundidos por homossexuais, foram alvo de agressões. Conhecem-se pelo menos dois casos em Viseu um deles envolvendo pai e filho que se cumprimentavam. O outro, um rapaz de cabelo comprido. Isto já se está a tornar num problema de segurança pública", alertou Sérgio Vitorino, que responsabilizou o Governo Civil, a PSP e a autarquia viseense,
"Já houve agressões à porta do Comando da PSP e a polícia deixou fugir os agressores. Não é admissível", protestou o dirigente do movimento, que exige maior intervenção à força policial e um envolvimento activo do Governo Civil. "Sabendo, como sabe, que os relatos das perseguições e ataques já acontecem há mais de um ano, e de forma continuada, não se percebe porque é que não ainda não actuou", sublinha.