A Adicais, proprietária do lote 1 nas traseiras da Casa da Música, recusa "soluções avulsas" para a situação do equipamento. A sociedade confirmou, ao JN, que "já há muitos meses" tinha alertado a Câmara do Porto para a ilegalidade da construção, não estando de acordo com o alvará de loteamento, emitido em 2000.
"Incompreensivelmente, não tendo embargado as respectivas obras àquelas datas, tal como lhe competia, a Câmara Municipal do Porto pretende, agora, legalizar apressadamente esta irregularidade, sem a colaboração da Adicais que se mantém indisponível para soluções avulsas, mas colaborante para soluções de outra dimensão", sublinha o presidente do Conselho de Adminstração da Adicais, Rui Costa, em resposta ao JN, assinalando que a empresa não alimentou polémicas e espera há três anos "com custos directos" pelo desfecho do processo.
Rui Costa não tem dúvidas de que a "Adicais foi prejudicada e adquiriu o direito a ser indemnizada" e reitera a "disponibilidade para encontrar soluções consensuais", face à importância da Casa da Música no Porto.
Para a Adicais, a "Casa da Música é uma bela peça de arquitectura e de engenharia". Mas a empresa entende que os "apêndices em forma de onda" (café e pala) construídos "à revelia do alvará de loteamento, vieram prejudicar patrimonialmente a sociedade, até porque se perdeu uma serventia de vistas" do edifício, a erguer contíguo à Casa da Música.
"Alguém tem tentado passar uma mensagem negativa da Adicais numa tentativa de prejudicar a sua imagem. Entretanto, após ter sido tornado público o guião desta longa história, no futuro, só pessoas mal intencionadas poderão colocar o ónus na nossa sociedade", remata Rui Costa. C.S.L.