É possível definir a arquitectura em duas pistas simplistas: de um lado há os edifícios racionais e metódicos, do outro, todos aqueles que foram movidos pelo impulso e pela poesia. Rem Koolhaas estará entre os que arquitectam os primeiros, mas também, e definitivamente, entre os outros.
Rem Koolhaas, arquitecto holandês, considerado um notório desconstrutivista, acredita nas ideias do progresso social e na natureza propagandística da arquitectura. É retórico e autor de edifícios reais. Fundou o OMA.
Nasceu em 1944 e considera-se um escritor, mas em 2000 ganhou um Pritzker, o mais importante prémio de arquitectura mundial. Na mesma frase, fala no singular e no plural - e só ele poderá explicar de que se alimenta essa contaminação. É charmoso, hiper-articulado, impositivo. É o autor da Casa da Música. É incatalogável.
[Jornal de Notícias] Rem Koolhaas é incatalogável?
[Rem Koolhaas] Para o universo da arquitectura talvez eu seja difícil de catalogar, porque tenho muito outros interesses. Originalmente, eu era argumentista. Ainda me considero tanto escritor quanto arquitecto. Nós, na OMA ['Office for Metropolitan Architecture'], já não somos somente arquitectos; criamos outro gabinete, a AMO, que lida com questões políticas, culturais e de identidade contemporânea. Estou constantemente a alargar o espectro daquilo que a arquitectura pode fazer. Acho que isto que faço é muito confuso para o mundo dos arquitectos, mas não é de todo confuso para o resto do mundo. Eles percebem, mas os arquitectos ficam completamente chocados.