OGoverno quis ontem dar um sinal de optimismo ao País, ao aprovar (dentro da data prevista) o Programa de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias (PIIP), cujo valor ascenderá até 2009 a 25 mil milhões de euros, entre fundos públicos e privados.
Numa altura em que o "ciclo do défice" está praticamente terminado - com as medidas mais duras já anunciadas e o Orçamento Rectificativo a ser votado no Parlamento na próxima quarta-feira - José Sócrates escolheu o forte de S. Julião da Barra para palco do Conselho de Ministros que assinalou os 100 dias sobre a aprovação do programa do Governo e divulgar o prometido programa de investimentos para reanimar a economia. Para já, foram apenas divulgados os traços gerais do programa, já que o Executivo vai apresentá-lo ao longo da próxima semana junto de potenciais parceiros privados, bem como no Parlamento, durante o debate do Estado na Nação da próxima quinta-feira.
Aos 20 mil milhões de euros de investimento público e privado até ao fim da legislatura, o ministro da Economia, Manuel Pinho, acrescentou mais cinco mil milhões e definiu as áreas prioritárias. À cabeça estão as energias renováveis (especialmente eólica), apesar de os 2,5 mil milhões adiantados por Manuel Pinho saírem dos bolsos das empresas privadas. O valor é precisamente o que Portugal necessita investir para cumprir a meta de 39% da energia eléctrica consumida ser produzida com base em fontes renováveis, no compromisso assumido com a União Europeia.
Já sobre a alternativa nuclear, suscitada pela intenção do empresário Monteiro de Barros em construir uma central em Portugal, Manuel Pinho reconheceu que se trata de um tema com "grande actualidade" (atendendo à alta do petróleo), mas ressalvou que "deve ser pensada e discutida com profundidade".
Nas prioridades ontem anunciadas integram-se, ainda, o abastecimento e tratamento de água (para os quais serão canalizados 2,3 mil milhões), o transporte ferroviário de alta velocidade e o turismo (ambos com 1,5 mil milhões) e a Internet de banda larga (mil milhões), bem como o novo aeroporto.