O consórcio Cobetar e Spie Batignoles interrompeu, ontem, as obras do túnel de Ceuta, no Porto. A Câmara considera que a situação é "grave", tanto mais que ainda não há uma data para que os trabalhos sejam retomados e acusa o Ministério da Cultura de ter uma "atitude de chantagem" contra o construtor.
Em comunicado publicado no site, a autarquia indica que a paragem das obras de segurança "surge na sequência da pressão que o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) tem vindo a exercer e consubstanciada, agora, em mais uma carta enviada ao empreiteiro". A missiva chegou anteontem.
Contactado pelo JN, o presidente do IPPAR, João Belo Rodeia, explicou que a carta do instituto é uma resposta a um ofício anterior dos construtores, que solicitaram uma clarificação. "A nossa carta explica quais as obras de segurança necessárias, que foram identificadas pela nossa empresa de segurança. Mas nós acreditamos que está a ser furado o embargo e foi por isso que apresentamos uma queixa-crime ", assinalou João Belo Rodeia. O JN pediu mais informações ao consórcio. Porém, não foram prestados esclarecimentos até ao fecho da edição de hoje.
Fonte da autarquia adianta que, face à gravidade da situação, está a ser analisada internamente uma intervenção nos planos político e jurídico, sem concretizar quais as opções que estão em cima da mesa. Em comunicado, a Câmara portuense sustenta, ainda, que a interrupção da empreitada pelo consórcio e principal empreiteiro do túnel de Ceuta tem "gravíssimas consequências para toda a envolvente e, em particular, para o Hospital de Santo António, decorrentes desta atitude de chantagem que o Ministério da Cultura continua a fazer".
Recorde-se que, esta semana, também outro empreiteiro Domingos daSilva Teixeira suspendeu os trabalhos no Carregal, após ter recebido a notificação do IPPAR que ordenava a suspenção da obra. C.S.L.