Depois de quase quatro meses de encerramento, a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Sobreiras, no Porto, retomou a actividade, mas só deverá estar em pleno no final do mês. Ou seja, ainda há um determinado volume de esgotos - não quantificado pelos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) - a ser despejado no rio Douro.
O ponto da situação foi feito, ontem, por Rui Sá, presidente do Conselho de Administração dos SMAS, numa conferência de Imprensa em que esteve ladeado pelos outros administradores, entre os quais Santos Carvalho, nomeado em substituição de Artur Rangel, exonerado na passada reunião de Câmara. Segundo Rui Sá, um sinal de que os serviços estão a "regressar à normalidade".
Relativamente à ETAR, o presidente dos SMAS explicou que o consórcio responsável fez algumas alterações no sentido de serem respeitados parâmetros de funcionamento. Ressalvou, contudo, que o reinício de laboração (desde o passado dia 13) está a ser gradual. Neste momento, a estação recebe 18 a 20 mil metros cúbicos de efluente/dia, sendo que a sua capacidade é de 54 mil metros cúbicos. "O processo de regularização do funcionamento leva o seu tempo", sublinhou Rui Sá, acrescentando que o equipamento deverá ser recepcionado pelos SMAS num período de seis meses, caso os parâmetros estejam a ser cumpridos.
O mesmo responsável anunciou ainda a criação e um grupo de trabalho para encontrar alternativas a futuras avarias nas ETAR. Uma rede de ligação entre municípios vizinhos para uma gestão conjunta do tratamento de esgotos é uma hipótese que Rui Sá admitiu ver com bons olhos. O objectivo é que, "no futuro, as praias do Porto tenham bandeiras azuis."
Entretanto, avançou uma campanha para a ligação de 10 mil fogos à rede de saneamento. Trata-se de habitações com "colectores à porta", sendo que metade já tem um ramal instalado. O custo da ligação é 250 euros e será disponibilizada uma linha de crédito.