Um grupo de especialistas em tecnologias da reabilitação e acessibilidades da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, está a desenvolver um projecto que visa devolver aos doentes acamados e com impossibilidade de efectuar os movimentos mais básicos, a capacidade de comunicar, recorrendo apenas ao movimento da íris. Tal é possível, graças a um equipamento de última tecnologia com software aplicado e adaptado caso a caso.
Assim, apenas "com o movimento dos olhos, é possível escrever no computador e enviar mensagens, incluindo para telemóvel, mudar de canal de televisão, ouvir música, consultar internet e comunicare presencialmente com recurso a um sintetizador de fala", explica o especialista em reabilitação Francisco Godinho, coordenador da equipa, que foi buscar a inspiração ao relato de vida de Jean Dominique Bauby, que escreveu o livro "O Escafandro e a Borboleta".
A ideia destina-se, essencialmente, a doentes que sofrem de esclerose lateral amiotrófica numa fase bastante avançada, uma doença rara que destrói toda a capacidade de movimentos e comunicação verbal dos doentes, mas que não afectam o seu cérebro ou a sua actividade intelectual.
Essa tecnologia pode ser utilizada, também, por tetraplégicos ou outros deficients profundos.
Já existem outras soluções para fazer face ao mesmo problema por exemplo, com recurso a sensores, é possível fazer o mesmo com um simples movimento de um dedo, do nariz, da cabeça, dos olhos ou com sinais bioeléctricos, que, ao fim de alguma prática, são rápidos, mas nunca instantâneos como é o caso do projecto lançado agora pelo CERTIC - Centro de Engenharia de Reabilitação em Tecnologias da Informação e Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.