"Antes queria morrer debaixo dos escombros do que viver no sítio em que estou". As palavras de Manuel Bessa, na Assembleia Municipal do Porto, anteontem à noite, sintetizam o desconforto em que vive a maior parte das pessoas alojadas temporariamente em pensões. Porque o temporário é sinónimo de muitos meses.
Também Manuel Bessa e a família foram despejados coercivamente pela Câmara porque a casa ameaçava ruína. Mas foram colocados numa pensão sem condições mínimas. "A minha mulher e a minha filha já foram confundidas com prostitutas por lá entrarem", desabafou o morador, reclamando resolução rápida para o problema de quem está a viver em pensões.
Tal como Santos Silva, membro da Junta de Santo Ildefonso que entregou um documento denunciando a situação degradante em que se encontram algumas das 15 famílias desalojadas na freguesia, a viver em pensões que funcionam como casas de passe ou em quartos sem condições.
Anteontem à noite, a Assembleia Municipal aprovou, por unanimidade, uma proposta de recomendação à Câmara para que, em conjunto com a Segurança Social, proceda ao realojamento das famílias (nos casos que se justifiquem) em bairros sociais ou em casas do IGAPHE. A Câmara deverá, também, estudar a forma de vir a ser ressarcida pelos senhorios dos prédios onde moravam as referidas famílias.
Medidas que, segundo a recomendação, devem ser tomadas com "a maior brevidade". Uma celeridade que terá de respeitar, contudo, o período de férias. Ainda durante a discussão política, a vereadora da Habitação, Matilde Alves, revelou aos deputados que se tinha reunido, durante a manhã, com o director do Centro Distrital de Segurança Social, Luís Cunha, para procurar resolver os problemas dos desalojados (actualmente, são 150 pessoas). Uma "primeira" reunião de trabalho que só será repetida em Setembro, porque, segundo a vereadora, o responsável da Segurança Social vai de férias. E Matilde Alves só admite reunir-se com Luís Cunha.