Adecisão de evacuar de imediato a ala sul do Mercado do Bolhão, no Porto, foi, essencialmente, política. No relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) em que se baseou a Câmara do Porto para optar pela interdição do espaço não é feita referência à obrigatoriedade de haver uma evacuação dos comerciantes. Este cenário é, apenas, descrito como uma alternativa à continuação de obras de escoramento e consolidação da estrutura.
"Não quisemos mais remedeios", justificou, ontem, Rui Rio, durante uma conferência de Imprensa para apresentar a solução da autarquia para o espaço. Entre dois pareceres técnicos contraditórios nas medidas a tomar, o presidente da Câmara do Porto decidiu-se pelo que traça o pior cenário. E mandou retirar 117 comerciantes por forma a evitar, nas suas palavras, "um novo Entre-os-Rios".
"Perante os dois documentos, que se contradizem, tivemos de reagir. Quisemos evitar um novo Entre-os-Rios. As pessoas podem reclamar, mas pior era que o país não tivesse aprendido nada com aquela tragédia", comparou.
Seja como for, os comerciantes recusam-se a abandonar o Bolhão (os do piso superior terão de o fazer até ao dia 27 e os do inferior até 3 de Agosto) e preferem passar para a ala norte do edifício.
Rio reconheceu que não haverá lugar para todos os comerciantes no "novo" Bolhão. A reabilitação do velho mercado, que será feita por privados, vai passar por aquilo a que o autarca designou de "solução mista". "No primeiro piso, o investidor fará o que entender, mas o rés-do-chão terá de manter o seu cariz tradicional. E alguns dos actuais comerciantes ficarão lá".