OPS e a CDU exigem a realização, a curto prazo, do reforço da estrutura do mercado do Bolhão (Porto), sem que os vendedores deixem o equipamento. As recomendações dos dois partidos obtiveram, ontem, o chumbo da coligação PSD/PP na reunião do Executivo, mas os sete votos da Oposição chegaram para garantir a aprovação. Apesar das propostas não serem vinculativas, Rui Sá (CDU) não tem dúvidas de que servem para "condicionar politicamente a acção do presidente da Câmara".
A deslocalização dos comerciantes da ala sul do Bolhão para o mercado do Bom Sucesso não é opção para Rui Sá, que aposta na "condigna reinstalação" na ala norte. O autarca defende o alargamento do prazo da mudança dos vendedores até final de Setembro, garantindo-se a segurança com as obras de consolidação. Até lá, a Divisão de Feiras e Mercados, em colaboração com o Gabinete de Segurança e Salubridade e a Empresa Municipal de Gestão de Obras Públicas, deverá cuidar da reinstalação. A mesma divisão deverá preparar uma proposta, a votar em Setembro, com formas de minimizar os prejuízos do desalojamento.
"Em oito dias, não se conseguem mudar talhos e restaurantes", aponta o comunista, que rejeita medidas de força para retirar os vendedores da ala sul. "Espero que não haja vontade de fazer despejos coercivos a 27 de Julho e a 3 de Agosto", sustenta. Se tal acontecer, convocará uma reunião extraordinária da autarquia, mesmo em período de férias. A última sessão do Executivo será na terça-feira, que só voltará a reunir em Setembro.
Convencido de que o novo projecto para o mercado não deverá perder a componente tradicional e terá de assegurar a presença de todos os comerciantes que queiram ficar, o comunista não se opõe à colaboração com os privados. Ainda assim, na recomendação da CDU aprovada ontem, mandata Rui Rio para angariar as verbas necessárias para a requalificação do mercado, junto do Governo, nomeadamente como "indemnização por eventuais danos causados pelas obras do Metro" (ler texto na página 25).
As dúvidas da Oposição, colocadas a Rio durante a sessão, ficaram sem resposta. "A obra só vai começar em 2006, o que nos leva a questionar a necessidade de acelerar a saída dos comerciantes do mercado. A parte norte do mercado pode alojar os vendedores da ala sul", sustenta Rodrigo Oliveira. O socialista não gostou de ter conhecimento das conclusões do relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil pela Comunicação Social. Rui Rio irá distribuir o documento.