Ninguém quer assumir a responsabilidade do estado de ruína iminente em que se encontra a ala sul do mercado do Bolhão, no Porto. A Câmara admite que a construção da estação de metro do Bolhão será a principal responsável pelo avançar repentino da degradação, mas a Empresa do Metro escuda-se no parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que atira as culpas para deficiências nas fundações do mercado e à falta de obras de conservação (da responsabilidade da Câmara).
Que o edifício do Bolhão estava a deteriorar-se há muitos anos era evidente. A necessidade de obras urgentes, sob pena de risco de ruína, é conhecida há anos, mas a situação, nos últimos meses, agravou-se de tal forma que a Câmara entendeu evacuar a ala sul. Mas o que terá motivado essa degradação galopante, até ao risco de derrocadas?
A volumosa empreitada da Metro do Porto, que durante quase três anos remexeu no subsolo da envolvente do mercado, é apontada, pela autarquia, como causa provável. Os trabalhos de escavação terão desviado a linha de água que mantinha "lubrificadas" as fundações em madeira. Sem água, os alicerces do mercado ter-se-ão deteriorado, provocando os assentamentos.
Uma tese que o LNEC não partilha, atribuindo a degradação à deficiência das fundações e à falta de obras de conservação, da alçada da autarquia.
Um parecer que sustenta a posição da Metro, que rejeita responsabilidades no agravamento abrupto das condições do mercado. Oficialmente, não há reacção, mas fonte da empresa recordou que o edifício já se encontrava bastante degradado e que, durante os trabalhos da estação, não houve agravamentos de monta. Admitiu alguns problemas no interior do mercado, fissuras que a Normetro reparou. Lembrou, contudo, que até houve mais problemas em habitações vizinhas do que no próprio Bolhão.