Carla Sofia Luz
Aconstrução do Parque Oriental, nos 81 hectares do vale do rio Tinto, irá custar cerca de 28 milhões de euros à Câmara do Porto. Na factura, não estão somados os custos da expropriação de mais de 500 mil metros quadrados de terrenos privados, que, no melhor dos cenários, ascenderia a 57,8 milhões. A execução de 150 mil metros quadrados de frentes urbanas (desde vivendas a prédios com rés-do-chão e cinco pisos) para 4500 pessoas na bordadura a Nascente do parque ajudaria a pagar a concretização do futuro equipamento.
O sistema de perequação de terrenos (negociação com os proprietários), já usado na implementação do Plano de Pormenor das Antas, abre a porta à execução do espaço verde com um menor custo, podendo a própria autarquia, enquanto proprietária de 22% das parcelas, receber 15 milhões de euros com a rentabilização dos terrenos municipais. A defesa das frentes urbanas é assumida pelo arquitecto Sidónio Pardal - projectou o Parque da Cidade e está a elaborar o plano de pormenor do Parque Oriental. As linhas gerais do espaço foram apresentadas, ontem de manhã, na reunião do Executivo.
"Quando falo em remates urbanos do parque, fico logo a tremer. Há um preconceito. A área de construção é de 150 mil metros quadrados e não encontrámos maneira de colocar nem mais um metro quadrado. Se for mais, entramos em ruptura urbanística", explicou Sidónio Pardal, assinalando que, em caso de negociação com os particulares, teria de existir uma repartição dos benefícios e da factura das infra-estruturas. Um custo avaliado por Rui Sá, vereador do Ambiente, em cinco milhões de euros.
"Há uma decisão política que se coloca a unidade possui 80 hectares. Podem ser todos para parque e, então, teríamos que expropriar e pagar verbas avultadas pelos terrenos. Ou fazemos o parque (com 50 hectares) e urbanizamos a bordadura", adiantou o arquitecto. Os oito lotes estão delimitados e situam-se ao longo da alameda (já em construção) e na colectora de Azevedo.