Do alto de uma cadeira, o presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado do Bolhão, Alcino Sousa, relatou os últimos desenvolvimentos do processo que, desde o passado dia 18, "anda a roubar o sono" a 117 lojistas da ala sul, voltada para a Rua Formosa. A carta, que recebeu a meio da tarde de ontem, vinda do Gabinete do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, não mudou, porém, decisões tomadas os pisos considerados sem segurança serão interditados, a partir de amanhã, e as zonas em risco devidamente identificadas e sinalizadas. Quem violar a interdição terá de assumir responsabilidades por isso. As obras de reforço de escoramento iniciam-se no próximo dia 4 e deverão prolongar-se até ao final de Agosto.
Agarrados à perspectiva de poder continuar, "por sua conta e risco", os comerciantes das 13 lojas do piso superior estão decididos em manter os estabelecimentos abertos até ao próximo dia 3, altura em que, seguindo o conselho da associação, "meterão férias", "levando as chaves consigo", "deixando as lojas tal como estão" e a área desocupada "por duas semanas", tempo que consideram suficiente para o reforço do escoramento.
A proposta da associação, comunicada ontem, pouco depois das 17 horas, a comerciantes será, agora, levada à Câmara, "em nome de paz e para que os trabalhos decorram sem problemas".
"Não queremos confrontos. Queremos soluções. Aceitamos, a bem da segurança, deixar as lojas fechadas durante duas semanas para que se escorem a zona. Mas não abandonamos os locais. O mercado terá de ser, no futuro, de todos", afirmou Alcino Sousa, pedindo "união de todos "na forma de adesão como sócios.
A falta de consenso, no entanto, continua quanto ao tempo que será necessãrio para resolver os problemas de segurança da ala sul do Bolhão, dito em perigo iminente pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) .