Foi uma autêntica descida aos infernos aquela que, ontem, Francisco Assis efectuou ao degradado Bairro de S. João de Deus, no Porto. No meio da imundície e dos esgotos a céu aberto, alguns moradores pediram casas. Outros aproveitaram a sua presença para criticar Rui Rio. Só os toxicodependentes ficaram alheios à agitação provocada pela comitiva.
"Populismo, arrogância e insensibilidade social" foram os adjectivos utilizados pelo candidato do PS à Câmara do Porto para criticar o mandato de Rui Rio e, em especial, a "obra feita" no Bairro de S. João de Deus. No final de uma reunião ocorrida na sede da Fundação Filos, com representantes de diversas associações locais, o candidato indignou-se com a degradação física e ambiental do aglomerado. E soltou promessas.
"Se for eleito, o bairro será objecto de uma profunda reconversão urbanística e de uma fortíssima intervenção no plano social. A situação é insustentável", disse, perante os jornalistas e os dirigentes das associações, entre os quais o padre Maia, presidente da Fudação Filos, instituição que, há vários anos, desenvolve acções de reintegração social.
Depois, e ao contrário do que estava previsto, Francisco Assis subiu o calvário, o "Tarrafal", como o bairro é conhecido. Tomou café na sede da Associação "Os Vikings" e, com um sorriso pouco cúmplice, escutou protestos de alguns moradores.
"Eu quero um tecto", exigiu um deles. "As casas foram abaixo, mas está tudo na mesma", lembrou outro. "Tenho uma filha inválida e roubaram-me tudo o que tinha", gritou uma mulher.