A aquisição do centenário "Comércio do Porto" poderá ser concretizada por quadros da própria empresa, através de um MBO (Management Buy Out). A informação foi dada ao JN por Susana Ribeiro, membro do Conselho de Redacção do título portuense e delegada sindical, que refere que o tema foi abordado durante a reunião, de ontem, com o director do matutino, Rogério Gomes.
Contactado pelo JN, o responsável desmentiu, no entanto, o facto. O certo, soube o JN, é que a possibilidade pode estar em cima da mesa. E se, assim for, acrescentou uma fonte do diário, "o dinheiro disponível para pagar as indemnizações aos trabalhadores passa directamente para a empresa compradora".
Durante a tarde de ontem, Rogério Gomes deslocou-se à Redacção - tem estado de férias - para "acalmar" os profissionais. Susana Ribeiro refere que o director lembrou que "não existe nenhuma falência do jornal, não há datas oficiais para a última edição" e que os espanhóis "continuam à procura de investidores".
Também ontem, o encerramento do jornal foi discutido, pela manhã, na reunião da Câmara do Porto. Considerando que o título é uma "referência da cidade", o vereador da CDU, Rui Sá, apresentou uma moção para que o Município manifeste a "total solidariedade" aos trabalhadores e considere "indesejável a possibilidade de encerramento do mais antigo jornal diário do Continente".
A proposta foi aprovada por unanimidade, mas o texto não foi consensual e acabou por ser retirado um dos pontos do documento, face à recusa do presidente da autarquia, Rui Rio, de interferir num negócio privado.