Opiso superior da ala sul do Mercado do Bolhão, no Porto, está, desde ontem, de madrugada, interditado. Grades e ferros não conseguiram, porém, impedir a permanência e a circulação numa das zonas considerada perigosa e os cartazes espalhados pelas paredes, avisando para proibição, acabaram no lixo, arrancados em momentos de raiva. O braço-de-ferro que os lojistas não queriam assumir é agora evidente. Os protestos ouvidos nas ruas provaram-no. Nos apupos, o presidente Rui Rio foi a figura escolhida.
A Câmara do Porto não cede nas intenções de evacuar os dois pisos da ala em causa e em manter a interdição. Argumenta com razões de segurança, mas só na passada terça-feira, em carta endereçada aos lojistas, falou em obras de reforço de escoramento, uma hipótese que tinha sido rejeitada pelo presidente Rui Rio.
A Associação dos Comerciantes do Mercado do Bolhão manteve, ontem, as 13 lojas do piso superior, a maioria talhos, em funcionamento. A tentativa de dissudir a Câmara em aceitar propostas conhecidas na véspera deu em nada. A recusa em mudar para a ala norte ou para os mercados do Bom Sucesso (Boavista) e dos Anjos (Praça de Lisboa) foi entendida "como uma imposição". A decisão em manter os estabelecimentos abertos até ao próximo dia 4, data marcada para o início de obras, também.
"O presidente da Câmara, através do chefe de gabinete, Manuel Teixeira, alegou que não nos recebeu hoje [ontem] por causa de más interpretações que, dizem eles, nós fizémos. Vai responder-nos por escrito. Não vamos ficar parados", afirmou, no final de encontro, o líder dos lojistas. Alcino Sousa recusa mudanças sem apoios monetários, reconhece que a ala norte não chega para albergar os 117 comerciantes afectados e quer garantias do regresso aos seus lugares. "Queremos obras e respeito por quem está no mercado. Lamento imenso o comportamento que a autarquia está a ter", acrescentou. Em busca de apoio, a associação promove hoje, ao fim da tarde, uma vigília de protesto e apela à cidade para "que seja possível um cordão humano" à volta do mercado. Promete uma conferência de imprensa onde, "com cabeça fria", apresentará mais iniciativas. Ontem, o dia foi longo.