Falam cada um em seu canto e são adversários políticos. A direcção dos discursos, porém, tem sido a mesma a defesa da expansão do metro na Área Metropolitana do Porto. Francisco Assis, do PS, Rui Sá, da CDU, Rui Rio e Luís Filipe Menezes, ambos do PSD, foram, ontem, figuras num dia em que Valentim Loureiro, presidente do Conselho de Administração da Empresa do Metro, considerou que um possível travão a novas obras, (que esteve na boca no ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, no sábado, mas deixou de estar anteontem) não passou de "um mal-entendido".
Parar com as obras do metro do Porto é algo que "não passa pela cabeça" do candidato do PS à Câmara, Francisco Assis. "A gestão da Metro deve ser rigorosa e as dúvidas esclarecidas. Para isso, há inquéritos", defendeu. Recusou, todavia, tecer considerações acerca de eventuais alterações na administração da Metro, hipótese admitida por Mário Lino, que entende que o Estado deve ter uma participação maior na empresa .
Quatro dias depois das polémicas declarações do governante, que afirmou, na inauguração da Linha Verde, na Maia, que não haveria mais obras do metro sem uma redefinição financeira, Francisco Assis rejeitou que se "pare com o investimento do metro". E pôde fazê-lo com segurança o ministro já disse que, afinal, "o metro é fundamental para o Porto" e que a expansão da rede vai concretizar-se.
Rui Sá, o comunista que disputa o cadeirão maior da edilidade portuense, considera, no entanto, que não é uma questão de dinheiros que está em causa, mas sim o modelo de gestão da empresa. "Este Governo é muito centralista", referiu.
Igual leitura tiveram os sociais-democratas Rui Rio e Luís Filipe Menezes, candidatos, respectivamente, no Porto e em Gaia. "O que parece incomodar é o peso que o PSD tem no Conselho de Administração da Metro", disse Rui Rio. Menezes também acha que não "é o desvio orçamental" que preocupa o Governo, mas sim o facto de "querer mandar na obra".