Vários cegos poderão recuperar a visão dentro de dois anos, graças a uma nanotecnologia que está a ser desenvolvida para reconstruir a córnea humana, segundo um projecto europeu de investigação, apresentado, na semanapassada em Edimburgo, na Escócia. A nanotecnologia consiste no uso de técnicas que permitem fabricar dispositivos ou trabalhar a uma escala muito reduzida (ao nível dos átomos e das moléculas) e que pode ser utilizada na saúde.
No âmbito da conferência internacional de nanotecnologia, que ontem terminou em Edimburgo, foi apresentado o "projecto de engenharia da córnea", conduzido por 14 equipas de investigadores provenientes de nove países Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Israel, Itália, Suécia, Turquia e Reino Unido.
O projecto, que arrancou em 2004 e terminará no início de 2007, deverá compensar os actuais problemas com que se deparam pessoas com perda de visão ou cegueira resultantes de lesões na córnea a falta de dadores, o crescente risco de transmissão de doenças ou o uso disperso de cirurgias correctivas, que impossibilitam o enxerto da córnea. Além disso, a técnica, desenvolvida pelo cientista David Hulmes, dispensa os testes em animais, que a União Europeia tem vindo a tentar reduzir.
Perto de 27 500 operações são feitas anualmente na Europa, estimando-se que existam em todo o Mundo cerca de dez milhões de pessoas cegas devido a lesões na córnea.
Através da nova técnica, os investigadores reconstituem a córnea recorrendo a proteínas de células estaminais adultas (de humanos) obtidas em cultura. Essas proteínas assemelham-se aos componentes naturais da córnea, evitando assim o risco de rejeição pelo organismo, como acontece com as córneas sintéticas, ou o risco de contaminação com BSE, nos casos em que se usam proteínas de vaca, explicou Hulmes.