Dissemos já que, de entre as missões mais importantes das câmaras municipais, sobressaem as relacionadas com o planeamento que se concretizam na elaboração dos respectivos PDM. Para além desta missão determinante, outras, não menos relevantes, são atribuições suas, seja porque legalmente lhe estão cometidas, seja porque são assumidas politicamente pelas forças políticas que suportam as candidaturas que se propõem às eleições locais.
O património, a questão económico-social e a qualidade de vida, são atribuições que, por imposição legal ou por escolha política, constam da generalidade dos programas eleitorais.
Dissemos também, e já todos o sabemos de longa data, que "cada um destes itens encerra uma grande quantidade de outros que, por não serem estanques nem isolados entre si, tornam o governo das cidades numa questão nova e complexa, que já não pode ser encarada como a simples aplicação de fórmulas ou receitas vindas dos tempos que acabaram de passar". A chamada "globalização" não é mais do que a expressão do sentimento que, de há muito, se vem consolidando, de que já não há ilhas nem de felicidade nem de desgraça e que, de facto, "tudo tem a ver com tudo". A ideia de que é possível governar localmente sem ter em conta a região e governar a região e o país sem ter em conta o mundo inteiro, é, definitivamente, coisa do passado.
Na verdade, os factos demonstram que "planear" (física, económica ou socialmente) à revelia dos contextos em que se vive é tão inútil como utópico. Se os territórios são contínuos e já não há fronteiras que os separem, também as pessoas se movimentam neles sem restrições, estabelecendo entre si relações cada vez mais frequentes, rápidas e consistentes e derrubando, todos os dias, barreiras e obstáculos até hoje tidos como inultrapassáveis.
Isto faz da sociedade uma "globalidade" de onde não é mais possível retirar partes físicas ou porções sociais a que se apliquem políticas simplesmente sectoriais. E se as questões do planeamento físico, tratadas em sede de PDM, já não fazem sentido vistas concelho a concelho, também as questões da ordem económica e social carecem de visões integradas e globais para que tenham sustentabilidade, isto é, para que sejam duradouras e produzam efeitos positivos e prolongados no tempo. O tempo dos homens sós (orgulhosamente sós ou não), providenciais, salvadores, únicos, ou de outro qualquer quilate semelhante, acabou.