Formação profissional e qualificação, união empresarial, descentralização e o necessário aumento do investimento público. Da conjugação destes factores deverá sair a resposta à crise instalada no Norte. É essa a convicção do grupo de personalidades contactadas pelo JN para comentar o cenário saído das contas regionais do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os dados, divulgados na semana passada, confirmam que o Norte está cada vez mais deprimido - o investimento cresceu abaixo da média nacional e as famílias chegaram a 2003 com o nível de vida mais baixo do país. A isto soma-se a mais elevada taxa de desemprego do país. Hoje, de resto, o Governo apresenta o Plano Nacional de Emprego, que deverá conter medidas regionalizadas.
Ludgero Marques, presidente da Associação Empresarial de Portugal, não duvida da importância da qualificação e da formação da mão-de-obra. "Os empresários portugueses fizeram coisas fantásticas, investiram em recursos tecnológicos, mas não tiveram correspondência nos recursos humanos", disse, apelando aos políticos para que ouçam os empresários. "Chegámos a esta situação por descuidoe por esta questão ter sido entregue aos intelectuais".
É também esta a linha seguida pelo eurodeputado Silva Peneda, para quem o aumento das exportações é fundamental. Para isso, advoga a concessão de benefícios fiscais a empresas exportadoras e apela à União Europeia para que force os países com quem assina acordos de liberalização comercial a cumprir normas sociais e ambientais. Além disso, entende que metade dos fundos estruturais deviam ser reservados para as zonas mais afectadas pela globalização, como o Norte.
Concedendo que, agora, o país tem estabilidade política, Silva Peneda lamenta a falta de confiança nos agentes políticos e económicos.