OMinistério do Trabalho vai divulgar hoje o Plano Nacional de Emprego, que deverá incluir medidas para combater a falta de trabalho que grassa em várias zonas do país, com a tónica no Norte. A criação de medidas de combate ao desemprego é bem precisa, atendendo a que o Norte passou a ser, este semestre, o líder nacional na matéria.
Os dados do Instituto de Nacional de Estatística (INE) revelaram que, enquanto que a taxa nacional é de 7,2%, no Norte eleva-se a 8,7%. Ou seja, 87 pessoas em idade activa em cada mil não tinham um posto de trabalho, quando no ano anterior o número era bem mais baixo - de 73 pessoas por mil.
Segundo o INE, o Norte é agora a região onde o fenómeno do desemprego é mais sentido, deixando para trás o Alentejo, cuja taxa de desemprego era de 8,5%, e Lisboa, com 8%. A depressão económica e um modelo de desenvolvimento muito baseado em mão-de-obra intensiva são duas causas para o lugar "negro" que ocupa no topo da tabela.
A isso junta-se a facilidade com que as empresas (e não apenas as multinacionais) abrem e fecham fábricas nos países que lhes assegurem maiores vantagens competitivas - leia-se, a capacidade de produzir com os mesmos padrões de qualidade, mas a preços mais baixos.
Nos últimos anos, os exemplos de empresas que deixaram ou ameaçam deixar Portugal (e em particular o Norte) têm-se multiplicado. São conhecidos os casos da Philips e da Yasaki, em Ovar, da Lear ou da Delphi (que tem vindo a reduzir o número de trabalhadores em todo o mundo).