A páginas tantas, as empregadas de limpeza dos Paços do Concelho do Porto começaram a aparecer na porta principal. João Teixeira Lopes, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto, fazendo-se acompanhar de jovens com esfregonas, vassouras e baldes em punho, lavava a rampa de acesso ao edifício. Simbolicamente, fazia "uma barrela, uma lavagem, uma vassourada contra a corrupção".
Na base do protesto, claro, as conhecidas declarações do vereador Paulo Morais. "Não acreditamos que Rui Rio nada sabia", diz Teixeira Lopes, para quem "o silêncio ensurdecedor de Rio é uma atitude política".
"Estamos a falar de uma situação denunciada por Paulo Morais, durante quatro anos o principal artífice das políticas da Câmara", nota o candidato do BE, explicando que o presidente não pode demarcar-se "Se o próprio Rui Rio foi vítima de pressões, como reagiu?".
João Teixeira Lopes, referindo-se a práticas que condena no município portuense, enumerou algumas "o assessor do presidente da Câmara ganha mais do que o presidente da República"; "foram nomeados administradores da Casa da Música com salários 150% acima da lei"; "as empresas municipais não são controladas pelos órgãos camarários"; "as empresas municipais estão cheias de homens e mulheres que fazem parte do aparelho de Rui Rio"...
Em suma, queixando-se da "falta de transparência total, incluindo no combate à corrupção", Teixeira Lopes quis notar que "Rui Rio surgiu na política com a imagem de ser diferente dos outros", mas tal não corresponderá à realidade.